Rastros mortais

Tem algo estranho nos céus,
algo pesando nos ares,
poluindo muitos mares
de sangue, em brancos véus.

O prefeito manda controlar
a temperatura,
e nas alturas
uma máquina voa a fabricar
nuvens perigosas,
manchas volumosas
de bário
e outros
venenos letais:
rastros mortais
acima do bem e do mal,
de forma tal,
que meus iguais
nem percebem
o que os assola,
quem os controla
para de nada
saberem a este respeito,
sem direito ao natural
ambiente feito
em amor.

Resta o torpor fluoretado,
e um entardecer arroseado.

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