Expressões faciais

Abaixo desta tempestade viva e misteriosa que carrego em meu crânio, desaguam, como torrente impetuosa, as expressões do meu rosto: perspicácia, benevolência ou desgosto, gritam silenciosamente o que emana do centro, do núcleo pulsante que é fonte plácida, a cada momento marcando o tempo que falta para o encontro com a eternidade, mantendo vida para a outra vida, livre continuidade.

Segredos da dor

Quem é que sente mais dor? Quem perdeu ou quem nunca teve? Quem sabe exatamente o mal que fez ou quem o sofreu? Quem se permite ver por dentro ou quem se fecha? Quem vive na solidão ou quem tem a ilusão de companhia? Quem sente mais dor? Quem ignora ou quem sabe? Quem sente mais? Quem se endurece ou quem se amolece? Quem é igual ou quem é diferente? Quem? Quem sabe responder por experiência, não por insolência?

Nosso amor

Nosso amor, enquanto seres humanos em um corpo de carne, está sujeito a falhas, na medida oposta ao quanto sujeitamos nosso corpo à racionalidade cordial, porém nosso amor não precisa estar contaminado, incorrigível e doente, pois através da cultura, especialmente da neotestamentária, podemos pautar nosso conceito de amor em parâmetros firmes, aperfeiçoando nossa prática, cada dia mais humana (e ao mesmo tempo, celeste), a exemplo de quem primeiro nos amou.

Meus bons amigos

Um amigo vai contigo, mesmo sem querer. Ouve o que você tem a dizer, respeita a sua sinceridade. Acredita em você, apoia o que quer fazer, e aposta no que é e pode ser, na sua liberdade. Procura mais te aceitar, do que por sua aceitação. Um amigo sabe pedir perdão, sabe dar razão; chama à atenção, abre o coração.

Formigas em um copo: edição para leitura

Você já viu como reagem as formigas, quando você bate o copo no qual elas estão? Já reparou como fogem do fundo do copo, se afastando do que tanto as interessa ali? Como correm por suas vidas, a maioria sem hesitar, não? Se você der um tempo a elas antes de encher ou lavar tal copo, são poucas que voltam, mas estas que voltam acabam se perdendo, sendo levadas porque não respeitaram uma força superior, crendo que tudo estaria calmo outra vez.

Então que nem você e nem eu nos apeguemos ao que conquistamos em certo lugar, ao que nos parecia atraente e confortável, porque quando o chão, abaixo dos nossos pés, tremer, quando sentirmos isto ou soubermos disto, será prudente que nos afastemos daquele local que foi avisado, e como as formigas do copo, ainda que tudo pareça calmo a seguir, se esperarmos no mesmo lugar pelo que pode vir, sem respeito a uma força superior à nossa, pode ser tarde de mais, especialmente quando se mora perto do mar, perto das águas que podem limpar o local onde costumávamos viver, entretanto, a vida sempre continua enquanto se está vivo, por isto, não subestime a força dos raios, dos ventos, do espaço e das águas, e nem dê maior crédito aos jornalistas do que aos sinais do ambiente feroz que baseia a sua existência, porque sociedades similares a esta crescem e minguam nos braços deste planeta há centenas de anos, mas o que mata mesmo as pessoas são os enganos.