Rosh Hashaná!

Ao gosto, a angústia já vai,
o Casamento se aproxima:
dos olhos do Pai
somos a menina
que tem fome de justiça,
que suspira pelo abraço
de quando a realidade de lá
surpreenderá sonhos de cá.

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Em defesa das pessoas simples

Ela chegou com pedras, metais e poder,
me disse o que era certo fazer
para obter a remissão,
a salvação do meu ser.

Ela mentiu, erigiu um trono,
e enfrentou o dono,
supondo ser mundano o reino
do mais perfeito querer.

Ela não se deu por mim,
não me comprou com sangue,
mas com sangue de inocentes se embriagou,
homicida do princípio ao fim,
assombras cada cidade em que vou.

As pessoas mais simples e puras,
procuras perverter,
procuras convencer
de retidão, de abnegação.

Tua loucura e nudez ficarão evidentes,
quando de repente,
for desmentida sua posição.

Não te rejeites naquilo que aprovas

Nesta madrugada amaldiçoo
toda enganação, repressão
contra o tesouro de livre
ser, e ser totalmente ser
humano, com direito
ao canto,
ao verso,
ao sonho
de tocar corações,
de falar verdades
e superar limites,
fortalecendo o ferido,
erguendo o enfraquecido
e liberando o fluir
natural da abundância
que está na diversidade
do ser em ação,
quer verbal
ou à mão do bem.

E o mal então
de agora para frente
não mais reterá,
deterá a condição
do sim,
da superação
de quem se é
para a transformação
mútua e sagrada
de quem ama
a justiça,
e acredita no outro,
pois acredita em si.

O fim das tempestades

Em chegando tempestade,
acalmam-se as ânsias,
os ânimos, as maldades.

Voltamos ao tamanho
e sentido originais.
Há medo, há espanto,
há sujeição, há paz.

O cheiro de chuva,
os ventos cortantes,
o tremer da terra:
uma estranha guerra.

Em passando tempestade,
quase tudo como antes;
exceto pelos corações:
mais firmes, mais gratos;
exceto pelas afeições:
mais justas, sinceras.

Dia limpo

É como se o vento me levasse,
como se o poema me escrevesse,
como se cada palavra me ensinasse,
e o passado me esquecesse.

Novos tempos passam,
e escolhas curam.
Pessoas crescem,
e quase sempre mudam.

Casa azul

Você corre.
Pra onde?
Você morre.
Por quem?

Ouça tudo,
veja tudo,
faça e sinta,
vá e volte
pra contar
como foi estar
preso, fraco
e perdido:
teu ingresso,
o sorriso.

A passeio

Que o caminho te mostre o sentido.
Que a viagem até tenha volta,
mas que sempre voltes diferente.
E que saibamos deixar partir,
da mesma maneira
que soubemos deixar chegar.