Sobre nós e mais nada 103

O infante consumista mais facilmente abdicará de sua possível vocação, por uma submissão miserável que garanta a manutenção do seu hábito, e da falsa inserção social que oferece.

Madre 3

Desde que nasci,
você ferra minha vida.
Quando acho uma saída,
você ousa dizer
que não posso ser,
recriminando
e humilhando
num ciclo doentio.

Cansei de tentar agir,
como se tudo entre nós
realmente fosse mudar.

Não irei mais
me atropelar,
para aceitar
quem rejeita
meus amores.
Não irei mais
ser o palhaço
do seu circo
de horrores
emocionais.

Madre 2

Ela cobra a comida
com briga,
me faz sentir mais
pobre ainda do que
sei que sou,
me xinga e instiga
por algo
fora do lugar,
bate na porta
e grita
como se fosse
matar, atirar.

Ela bebe pra curar
o amargo
e amarga
o quarto,
onde trancado fico
tenso e tento
escapar,
superar um passado
que assombra
o presente; a cuca
quente, esquenta e
as ofensas
de quem trai,
sangram tudo
e duram dias
nos campos do ego.

Se calo
me encolho no canto
e choro.

Ponto de luz

Pintura de Luciana Carvalho que deu origem ao poema:

De onde eu vim,
a parte de mim
que nasce aqui
dentro de ti,
toma a forma
do amor
de Deus.

Parte dos seus
sonhos feridos,
ganham coragem:
dedos e umbigo
no milagre,
na entrega.

Espero minha hora
de entrar na cena,
no palco
da nossa
passagem
para o bom futuro.

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Madre 1

Vivi sufocado pelo capricho de suas neuroses,
acuado pela covardia deste seu medo violento.

Consumido pelo egocentrismo
e esquecido pelo consumismo
teus.

Saí sim de dentro de ti
e você de dentro de mim,
quando me matou com desrespeito,
quando me olhou com preconceito.

Odiei ter te conhecido,
assim de perto
e ter crescido
com um amor só incerto
em se tratando de atos,
sem esquecer cem fatos
daquela proximidade doentia
que condenou os vários dias
da dor recebida sem sentido.

Preciso te esquecer
como nunca esqueci.
Eu preciso respirar
cada forma de estar,
ter prazer em existir.